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19 de janeiro de 2011

muito prazer, eu sou a senhora Monk!

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Sim, eu assumo. Está demais. Exagerado e doentio.
O cúmulo desta semana foi:
Antes de sair de casa o maridão colocou a cozinha em ordem, mais ou menos do meu gosto, baixou a tampa do fogão e colocou a chaleira em cima, mas como o bico virado para parede.
Quando olhei de relance, saindo já pela porta, gritei:
- Não! Olha a chaleira, ela tem que estar com o bico virado para a frente e não assim.
Ele completamente irado, me disse.
- Tá louca. Vai ti tratar.
Depois contou para todos.
Me senti uma palhaça no centro de um picadeira, o da loucura.
Não penso em me tratar, mesmo que piore com o tempo, e vai!

Tem vezes que faço tratamento de choque. Tiro tudo do alinhamento e por 60 segundos consigo alhar para meus mimos desordenados. Isso ajuda, né?

Não tenho certeza quando começou. Mas sei que me acompanha desde os 14 anos.
Arrumo até o que não é meu. E aceito na boa a retaliação dos donos do lugar. Como se não fosse comigo. Dou as costas e sigo. Feliz da vida.
Uma vez arrumei uma casa interinha, sem a vontade do proprietário. O constrangimento, maior, foi quando recolhi uma cueca com freada de caminhão.
Daí o cara partiu para cima de mim.

Porque não gostar das coisas literalmente, alinhadas, milímetro por milímetro, centímetro por centímetro. É tão mais bonito.
Confesso. Isso é loucura da boa. É como passar o dia fumando maconha.
Em casa não tenho sossego, e eu gosto. Quando cai um pelinho da cadela, levanto recolho do chão e vai direto para o lixo.
A pia da cozinha tem que estar, mesmo com a louça suja, tudo organizado e empilhado. E como é branca, tem que estar branca, sem uma mancha de café, farelo de pão, pingo de suco. Nada. Simplesmente branco.

A cama. Fica alinhada com o guarda-roupa, que está alinhado com as prateleiras, que está alinhada com os quadros e com as mesinhas de cabeceiras e tudo centralizado com o móvel da TV. Os lençóis, sempre lisinhos. Sem nenhuma dobradura ou amassado. As almofadas, sempre, alinhadas e coordenadas.

Chata. Sim. Neurótica. Sim.
Tem gente que não gosta de conviver comigo. Paciência. Eu adoro.
O marido já aprendeu. Pelo menos não atrapalha e não me interna.
Quando começar a andar sem pisar nos frisos das calçadas, eu mesma faço a minha internação do hospital Espirita – especialista em esquizofrênicos.

5 de janeiro de 2011

com o pé direito

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Poema furtivo

O poeta ao falar de si fala dos outros,
que cada um tem um quê do outro.
Tudo é como se fosse um amarrio de cordas seguidas, compassadas, continuadas.
O poeta ao falar dos outros fala de si,
que cada um outro tem um quê de nós,
cada um vive a vida alheia sem saber
e morre na morte do outro.
Cada poema é impessoal, é de todos,
ainda que impregnado de evidências da mão.
O meu seu poema dele não existe.

*Remisson Aniceto

Que venha 2011 chego de surpresas e alegrias.

Foto: http://ffffound.com