se me perguntarem se tenho vergonha de alguma coisa, a resposta é não. Claro que rosadinha vou ficar se tiver que andar na rua com a calça manchada de marrom.
Em dias de chuva, e acho que isso acontece não só comigo, mas com todos os exemplares do sexo feminino, saio de casa, do trabalho, do shopping, do carro, da moto... de todos os lugares cobertos com uma manta na cabeça. Tudo para não deixar a humidade transformar os cabelos lisos em grandes esculturas desordenadas em cima da cabeça.
se tenho vergonha de parecer uma mulçumana,não.
tenho medo é de ser confundida com uma mulher bomba e explodir em praça pública, seria o fim dos meus cabelos naturalmente lisos com formol.
Sair de burca é quase que uma terapia e hidratação para o liso perfeito.
Que eu gosto de criar e estar sempre em volta da casa - arrumando aqui e ali, não é novidade. A meta estipulada para agosto é desvendar o faça você mesmo da Minha Casa - junho 2011. Achar os tecidos e uma forma de usar apenas uma placa de madeira para toda a cabeceira e unir os tecidos sem ficar feio. http://www.blogger.com/img/blank.gif
Juro que vai ficar igual. O esforço vai ser grande. As risadas e os pontos de interrogação serão vários. conto e mostro tudo por aqui.
A primeira etapa é procurar a linda loja da Lu gastal e escolher a dedo e com os olhos os tecidos.
Eu tenho um careca para chamar de meu. O meu careca não tem a cabeça bonita ou atraente. PAssa longe do sexy. É uma careca torta, com buraquinhos e de herança da infância uns machucados que nunca cicatrizaram, mas mesmo assim o careca é meu. Me orgulho da sua carequice, já que assumiu a forma desde os vinte e pouco anos, quando ainda precisa de cabelos para pegar as gurias na noite. O meu careca tem caspa e ainda rouba os meus shampoos durante o banho, só me livrei do condicionador!
O meu careca tem personalidade, enquanto uns ainda ficam no esquema: empresta para um lado, empresta para o outro e surge uma franja falsa. O meu careca é tão assumido que não se contenta em passar somente a maquina zero na cabeça, precisa usar a gilete e ter certeza que não sobrou um fiapo de cabelo. O meu careca cuida da sua careca. Ela sempre está brilhando feito uma lua – grande e cheia de marcas.
O meu careca é descolado, no inverno usa touca de lã feita pela mãe ou ela Renner. No verão nossa preocupação é a careca. Não podemos jamais estragar ou destruir esta obra de arte. O meu careca coloca os óculos de sol na gola da camiseta, na cabeça ele escorrega. O meu careca tem mais dentes que qualquer outro homem.
O meu careca me conquistou exatamente pela falta de cabelo, mesmo que hoje eu tenha fetiche com homens cheios de cabelos encaracolados e pelos ombros.
A inspiração!
VINTE RAZÕES PARA AMAR UM CARECA Por Fabrício Carpinejar
1. Não é que o careca é careca, ele tem mais rosto. É somente rosto. Sua mulher nunca erra um beijo em sua face. Atrás da cabeça ainda é bochecha. Não há aquele risco desagradável de engolir cabelo.
2. O careca é um ponto de referência em qualquer lugar público. No supermercado, por exemplo: - Onde é o corredor do arroz? - Depois daquele careca, à esquerda.
3. O homem larga a pose alfa, tem um maior contato com a natureza, arrepia-se com as gotas da chuva ou as lufadas geladas do vento.
4. A careca é uma zona erógena e pode ser aplicada como instrumento preciso para massagens eróticas nas costas da mulher. Trata-se de uma plataforma vibratória, com funções aeróbica, anaeróbica e terapêutica.
5. Fim dos furtos dentro de casa. O xampu e o condicionador da esposa duram o dobro de tempo.
6. O macho deixa de ser hipócrita, não perguntará para a mulher de quem são os cabelos no ralo ou na pia. Com o fim da concorrência, agora tem certeza que são dela.
7. Não corre o risco de se afeminar com o uso excessivo do secador.
8. Na pressa, não precisa tomar banho, apenas completar o polimento.
9. O careca não passará pelos vexames sociais da caspa ou do piolho.
10. Nunca envergonhará sua companhia pintando os cabelos de acaju ou recorrendo às luzes.
11. Reduz as possibilidades de câncer de pele. Começa a pôr protetor solar para sair ao trabalho, não se restringindo a se prevenir da radiação ultravioleta nas férias.
12. Não é bobo de gastar R$ 50 mil como Eike Batista para comprar uma peruca italiana. Não é bobo de virar sósia de Silvio Santos com peruca de R$ 50.
13. O careca é maduro, confiável, único homem que realmente abandonou a adolescência.
14. Ninguém reclamará que ele é vaidoso e que vive se olhando no espelho para ajeitar o topete.
15. Se cometer algum crime, pode mudar de personalidade colocando um chapéu, uma boina ou um boné.
16. O careca não enrola, assume o romance. É tudo ou nada. Não admite meio-termo: implante, aplique, calendário pilomax. Prefere uma cabeça raspada a falsas esperanças.
17. Rejuvenesce no ato. Aparenta cinco anos menos do que os seus colegas grisalhos ou de mechas tingidas.
18. Não existe mais nenhum problema que possa fazer o careca perder cabelo.
19. Elas gostam dos carecas porque os carecas se gostam.
20. Todo careca sabe quem foi Yul Brynner.
Publicado no jornal Zero Hora Coluna semanal, p. 2, 12/07/2011
sempre que pensava em ter o meu cachorro, pensava na raça beagle. sempre me encataram por suas caras de piedade e coitadinhos. o currículo da raça era assustador, o que causou uma demora de 3 anos na compra, mas acabei ganhando de presente, com certificado e certidão de nascimento no meu nome no espaço mãe, pai estava desconhecido. tinha tipo sanguíneo, cor da pelagem e dos olhos. Confesso, foi amor a primeira vista. era inverno. ela tinha uns 30 cm e 40 dias. ao entrar em casa fui expulsa pela vó materna da cadela. como já éramos uma dupla, fizemos nossa sacola de roupas prendemos em um cabo de vassoura e ao bater a porta a sem coração voltou atrás e pediu para que voltássemos.
como a carência era tanta e o apego maior ainda, nada mais apropriado dar o nome de gente - Betina, assim chama a minha revoltada e diabólica cadela. no fundo eu a amo. é uma relação de amor e ódio que construímos ao longo dos 6 últimos anos.
outra confissão. não sou uma boa mãe. ela não é uma boa filha. (aqueles que não entendem a relação de carinho entre uma pessoa e seu animal de estimação pode sair do post e partir para outra).
nunca consegui ensinar nada para a betina. ela nunca aprendeu a ter horários para fazer xixi e coco. aliás, com passar dos anos, ela se especializou em fazer as necessidades sempre na madrugada. como é bom levantar no frio às 4h na manhã para juntar o cocô que fede tanto que acorda o prédio inteiro.
tão pouco consegui ensinar que cama, cobertor, lençol, tapete e roupas quando no chão não servem para as tais necessidades. e que toucas, meias, blusas e sutien não são brinquedos que ela pode roubar e sair correndo pela casa.
a convivência não é fácil. difícil é ter sempre uma surpresa nova a cada dia. ela não cresce. os veterinários me diziam, hoje não falam mais nada, quando ela entrar no cio vai passar. nada, só acelerou. foram-se os sapatos, calças, camisetas, escovas de cabelos, fios de eletricidade... a lista é grande. e a sua vontade de destruir é maior ainda.
hoje com seis anos ela só perdeu o folego para correr.
ninguém imagina a alegria que é chegar em casa e encontrar sua geladeira aberta, com pó de café no chão, vinagre aberta, cebola, batata e tomate devorados, a borracha que fecha o utensílio doméstico mastigado. nada é mais lindo de se ver. quando entrei em casa e vi a cena pensei, fui assaltada ou será que minha casa foi cenário de guerra e não estava sabendo? e ela com cara de anjo e pança cheia. não sei como não precisei fazer lavagem estomacal.
estas são imagens que adoro ver ao chegar em casa.
ainda. uma vez coloquei uma lata de tinta branca embaixo da pia da cozinha. quando cheguei em casa o diabinho da tasmânia tinha tirado o pote para fora, abriu e derramou a tinta de 50,00 pelo chão, não satisfeita, arrombou o portão que fica na cozinha e foi para o resto da casa. baixou a pintora moderna na cadela e ela pintou com as patinhas e corpo todo o piso do apartamento. outra cena que não passa pela cabeça de ninguém, nem nos piores pesadelos.
não sou uma boa mãe.
só consegui ensinar para a betina a ser carinhosa, manhosa, delicada e a dar beijo. não se pode falar a palavra beijo. ela sai feito louca que é, lambendo todos a volta. constrangedor.
qualquer semelhança com o filme marley e eu não chega nem a 1% do que ela é capaz. no episódio da geladeira, precisei trocar. no sofá, onde ela adora passar a tarde tirando uma soneca precisei jogar no meio da rua. até o andarilho rejeitou. até descobrir que durante a noite ela não dorme somente, tive muitos prejuízos - o próprio sofá, os tapetes, a cama (sim ela achava e tem convicção que cama de gente era banheiro) as cobertas...
hoje, para irmos para a cama, preciso desmontar a sala, tirar as almofadas do sofá e só deixar a madeira aparecendo. e nada pode ficar abaixo de 1,5 metros. ela pula e pega. no outro dia pela manhã montamos a casa novamente.
eu não sou uma boa mãe. ela não é uma boa filha.
ela aprendeu que dormir precisa ser na cama e no meio do casal e embaixo do lençol, essa de ficar por cima e nos pés é contra a sua natureza diabólica.
quando o ricardo chegou na nossa vida, corri e avisei:
confesso. sou fã de carteirinha dos portoriquenhos. da lingua, do sotaque, do jeito e principalmente das roupas. Lamento só não ter um dia "pegado" um hombre muy caliente para abusar e jogar fora! hoje já é tarde. (que o ricardo não me leia).
voltemos para as roupas e moda. um pouco menos interessante.
chegou em poa direto de Buenos Aires a grife Ay Not Dead. ela já está em solo gaúcho, fazendo sucesso entre as mais antenadas e frequentadoras da loja Hot. Virei fã das jaquetas de couro. Super boas para nosso inverno que entrou com os dois pés na terrinha.
quando me falta inspiração, busco ela na decoração. juro por esta luz me segue, tenho mais de 100 revistas de decoração. não me livro delas nem sob decreto. o ricardo que conviva com elas e brigue sozinho, elas não ouvem, mesmo.
a tarefa para as próximas semanas é construir a minha própria cabeceira, com retalhos de tecidos, bem linda e colorida. Não será trabalho facil, e eu nem gosto mesmo. escolher tecidos em uma ladeira do centro, comprar enchimento, madeira, cola, não tem nada mais terapeutico e inspirador.
não garanto que ficará assim como a da Casa&Jardim, mas vá lá. o que vale é a motivação.
Foto: Marcos Antonio / Casa e Jardim
no fundo o ricardo até gosta do resultado, só não dá o braço a torcer, como um bom marido. o resultado, daqui algumas semanas por aqui.
confesso que lá no fundo de mim existe uma pessoa romântica, mesmo que 70% da minha constituição seja masculina. tenho quase todos os defeitos dos homens, menos a desorganização, o órgão genital e a careca. sou bem macho, grossa, rude e ignorante, assim como o ricardo mesmo diz. ele já me conheceu assim, não pode reclamar e se não foi embora, ainda, é porque gosta e se acostumou com o meu lado macho alfa de ser.
os meus 30% de mulherzinha, gosta de surpresas, ainda mais no dia dos namorados, mesmo que seja só mais uma data para o comércio lucrar e fazer a economia girar. por aqui, já tínhamos instituídos que presentes só aqueles que simbolizassem alguma coisa, a necessidade que as pessoas tem em ficarem juntas, é isso que nos une.
mas a mulherzinha carente e romântica que vive em mim, esperava mais neste dia dos namorados. um cartão que fosse. um chinelo veio com significado, um café da manhã com um rosa de plástico. até isso. mas nada. ganhei um elefante branco em forma de porta-retrato, que não combina com a decoração e não cabe em nenhum móvel da casa. ele veio sem foto, sem cartão, sem bilhete. isso não é presente, muito menos um mimo de marido e mulher. péssima ideia.
eu, que comprei a cueca do Batman e um pijama de super marido, fiquei feito cachorro com raiva, babando pela casa, sem dono e carente, podia ter caído na primeira sarjeta da rua e passar a eternidade.
preciso me conformar que casei com um homem carinhoso, mas não romântico, ele não tem lado nenhum de mulherzinha, talvez seja por isso que estamos juntos há tanto tempo.
O dia dos namorados foi totalmente banido dos nossos calendários amorosos. ai de quem toque no assunto, sou rancorosa.
para compensar a trágica madruga, sim aconteceu as duas da manhã, passamos o dia fazendo piquenique na redenção, mas calmem, não foi ele que organizou, apenas aconteceu.
uma homenagem da Vivo aos 25 anos da eterna música Eduardo e Mônica do Legião Urbana e ao Dia dos Namorados. Emocionou todos no dia de hoje. lindo, lindo.
Sou daquelas que acorda bem humorada e feliz com a vida, mas basta um simples pisão no pé para tudo azedar. Tenho, sim, duas dentro de mim. Uma que vive no limite da loucura e outra que não paga para rir.
Um dos meus lados é uma boa pessoa, uma maravilhosa dona do lar e até gosta de cozinhar, carinhosa e amiga. Mas o meu outro lado é maquiavélico, egoísta e uma leoa em fúria, adora uma briga e é capaz de tudo para conquistar o que deseja, mesmo que demore um tempo. Este meu lado também me torna meio ranzinza e dona de mim. Vou lá e faço tudo sozinha. Ajuda? Para que? Eu posso, eu sei, eu faço. Esperar? Não espero nem eu mesma, quem dirá os outros.
Sou ranzinza e uma criança mimada que nem eu aguento, mas sempre quero que os outros me aguentem.
Escolhas também não são comigo e tão pouco com os meus dois lados, mesmo quando tenho certeza.
Tenho o coração dividido em dois, mas que bate em um só lugar dentro de mim. Desculpem, mas não há como separar as minhas duas metades. Elas são juntas. Não gostou, é melhor dar as costas e partir. Não faço questão de agradar. Este é o meu jeitinho meigo e destruidor de ser.
Dentro de mim habita também uma geminiana que não paga e, se duvidar, ainda implora para os outros deixarem ela chorar. Pode ser que por estar chovendo o cabelo estrague, como também de ver dois cachorros brincando na grama em um dia de sol, por um filme, um beijo de novela, ou por mais uma criança que foi encontrada jogada no lixo e, ainda, por que uma mãe perdeu o filho. Chorar é bom, ainda mais na frente do espelho. Esta geminiana chora sem motivo e por motivos. Chora até ao passar a mão na barriga e imaginar o que virá um dia pela frente. E podem acreditar, chora até de felicidade.
Gosto e me dou bem com os meus dois ladinhos. Mesmo que ora ou outra eu grite bem alto:
- Não me aguento mais!!!!
Assim sou eu, uma geminiana que diz muito obrigada, te amo, que chama a cachorra de filha e a calopsita de filho, que sabe perdoar, mas nunca esquece o que passou. Sou uma geminiana que sabe pisar nos pés dos outros quando precisa e gritar no meio de uma praça de alimentação que não deseja mais o pedido e que não leva desaforo para casa, mesmo os que não são dela. http://www.blogger.com/img/blank.gif
Um dos meus lados odeia despedidas, o outro diz, ainda bem!
Só tem uma coisa que os dois lados concordam: ambos gostam de fazer aniversário e contar para o mundo inteiro que o dia 3 de junho é só meu.